As alterações climáticas estão a pôr-nos em estado de colapso….
As questões ambientais e os seus perigos parecem que muitas vezes passam à margem dos principais decisores do mundo. Muitas vezes, por questões financeiras ou por puro comodismo nada fazem para alterar a ordem das coisas.
Face aos perigo da inconsciência ambiental poder vir a causar o fim da Humanidade, os cientistas não medem esforços e vão encontrando sempre novas soluções para os problemas causadas pela evolução das sociedades modernas. Mas, a quem os julgue “velhos do Restelo”, profetas da desgraça e os seus conselhos vão passando ao lado.
No século passado, quando se descobriu a importância do petróleo como combustível houve uma autêntica revolução. Longe estavam de imaginar quando disseram “eureka” ao petróleo que esse combustível fóssil era altamente nocivo para o ambiente e a saúde humana.
Hoje em dia sabemos que, os combustíveis fósseis são um recurso não renovável que leva milhões de anos a renovar-se. E que, por exemplo, as reservas de petróleo existentes no mundo não são uma fonte inesgotável. Por outro lado e ainda mais grave, a queima de combustíveis fósseis produz cerca de 21,3 biliões de dióxido de carbono, anualmente. Metade dessa produção atinge a atmosfera já que os processos naturais só conseguem absorver metade.
Hoje em dia, sabe-se também que o uso de combustíveis fósseis é a principal causa do aquecimento global e é um dos principais poluentes da atmosfera.
Também sabe-se que o aquecimento global está a provocar verdadeiras catástrofes por todo o mundo. Os glaciares derretem-se, fazem subir as águas e podem levar ao desaparecimento de várias zonas terrestres do globo. Muito se tem falado no arquipélago de Tuvalu localizado no oceano pacífico entre a Austrália e o Havai que corre sérios riscos de desaparecer.
Em Portugal, secas severas fazem-se sentir, especialmente, no Alentejo. Ainda esta semana os agricultores alertavam para a calamidade que se está a passar na região, onde não chove a vários meses, estando tudo seco. Os agricultores já não sabem o que fazer para alimentar os animais. O mês de Abril foi o mais seco dos últimos 90 anos.
Os especialistas ambientais acreditam que a escassez de chuva e o calor excessivo que abala o mundo inteiro nos últimos anos não é apenas um fenómeno natural fruto do seu tempo isto anda tudo ligado e o aquecimento global pode ser o culpado.
O mundo acordou um pouco para esta bárbarie que afeta, principalmente, estes dois últimos séculos, quando uma onda de manifestações pró-ambiente se fizeram sentir em todo mundo, desencadeadas pela jovem ativista Greta Thunberg que todas as sextas-feiras faltava às aulas para se manifestar contra a falta de consciência ambiental do mundo inteiro.
Porém, apesar de haver cada vez mais índices que a tragédia do aquecimento global provocada pela mão humana e sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, as sociedades não se consciencializam que têm de alterar os seus hábitos de vida, especialmente no que toca a esta questão. E as metas europeias para o fim da era dos combustíveis fósseis está longe de ser cumprida.
Os automóveis que continuam a circular são, maioritariamente, movidos a gasolina e gasóleo e a sua substituição por veículos elétricos está longe de acontecer. As metas indicam que entre 2030-2050 o problema vai estra resolvido. Porém, se olharmos à nossa volta…é difícil acreditar que estas metas irão realmente ser cumpridas.
Em Portugal, desde as duas últimas semanas (a partir do dia 26 de Abril), voltaram as manifestações contra a crise climática. Estudantes têm ocupado escolas e universidades, em Lisboa, Coimbra e Faro. Os alunos exigem o fim do uso do combustível fóssil e a utilização da eletricidade 100% renovável até 2025. Além desses pontos, o objetivo dos jovens é juntarem no dia 13 de Maio em Sines e manifestarem-se contra o gasoduto de gás natural.
Porém, o que podemos concluir desta problemática em que as invenções que fizeram, aparentemente, avançar a humanidade no século XIX e XX quando se deu as grandes revoluções industriais são agora o motivo da destruição das gerações vindouras e estão mesmo a por em causa a vida no planeta terra. Como se tivéssemos um planeta B...
Quando e 2020 a calamidade do Covid-19 obrigou todos a ficarem confinados, com as grandes indústrias completamente paralisadas, e a redução drástica da circulação de veículos tivemos a prova. A qualidade do ar aumentou exponencialmente. Aquela típica neblina citadina que circula no ar, especialmente, nas grandes cidades desapareceu…O que nos leva a concluir que por um motivo de força maior as autoridades foram impelidas a agir e obtiveram-se resultados bastante razoáveis em termos ambientais…
Então porque voltamos sempre ao mesmo e não alteramos de forma célere esta ordem de fatores que está a destruir progressivamente o ambiente.
Talvez porque também foi nesse período de paragem que se viveu um período de maior pobreza…Por isso, a solução não está em extinguir o desenvolvimento que as sociedades modernas já atingiram, mas, sim, encontrar novas soluções para um velho problema…Os combustíveis fósseis terão de ser substituídos por soluções mais verdes e amigas do ambiente.
Porém se fosse só os combustíveis fósseis os inimigos do ambiente…
O mundo inteiro repleto de invenções da Humanidade que realmente vieram facilitar a vida de várias gerações, mas, que se veio a descobrir que são altamente nocivos para o ambiente e para a saúde humana
Por exemplo o plástico que se espalhou nos hábitos de consumo do mundo inteiro à velocidade que arde um fósforo. Hoje sabe-se que leva centenas de anos a ser eliminado que chega mesmo a ameaçar a vida marinha e é a causa da morte de muitos animais marinhos que morrem sufocados (intoxicados). Já para não falar dos microplásticos, partículas invisíveis muito pequeninas que se espalham pelo ar e são altamente nocivas para todas as formas de vida do planeta.
Quando surge uma nova invenção existe sempre um grande furor a nível mundial. Porém, só mais tarde se estudam os seus efeitos secundários e os problemas que advém dessa nova invenção.
Se seguíssemos a 100% os conselhos dos especialistas ambientais teríamos que fazer quase tábua rasa de muitas invenções utilitárias do nosso dia-a-dia como se tivéssemos que voltar aos tempos primordiais dos nossos avós.
Usamos veículos movidos a combustíveis fósseis os especialistas aconselham que andemos mais a pé e de bicicleta.
Quase todos consumimos comida processada nem que seja a clássica bolachinha maria para dar ao bebé, os especialistas aconselham que pratiquemos a dieta paleolítica, como nos tempos mais primitivos. Tudo feito à maneira antiga, pondo fim à comida industrializada…
Quando ainda usamos sacos de plástico, os especialistas aconselham-nos a irmos ao pão com os saquinhos em tecido costurado pelas nossas avós.
Quando usamos fraldas descartáveis para os nosso filhos os especialistas mais rigorosas aconselham-nos a usar as antigas e pouco práticas fraldas de pano.
E até as novas cápsulas de café inventadas já num contexto de grandes preocupações ambientais me parecem ,a meu ver, muito pouco amigas do ambiente…
Será que para salvarmos o planeta teremos mesmo de deitar para o caixote do lixo pelo menos um século de invenções e hábitos ou haverá um ponto de equilíbrio…
É caso para pensar.
Ana Margarida Alves